Rádio Amazongospel.com

domingo, 25 de setembro de 2011

Priorize Jesus

“...Respondeu o Senhor: "Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas;
todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada".
Lucas 10-38-42.

A Palavra de Deus é luz para os nossos caminhos e nos instrui para que sejamos pessoas melhores e alcancemos sucesso.

Nesse texto encontramos Jesus mostrando o que é prioritário na vida. Prioridade é colocar as coisas em ordem.

Estudar é importante? É. Trabalhar é importante? É, todas as pessoas que foram chamadas por Deus estavam trabalhando, Deus não chama preguiçosos.

Comprar é importante? É, e precisamos saber comprar e vender, assim como precisamos saber vender e negociar.

Casar também é importante, podem existir alguns problemas no relacionamento conjugal, mas o casamento é compensador.

Existem muitas coisas importantes nesse mundo, mas nenhuma delas poderá tomar o lugar de Deus nas nossas vidas.

A Bíblia diz que Jesus saiu da Galiléia e foi para Jerusalém, até que chegou à casa de Marta e Maria.

Quando Jesus chegou, Marta agitava-se de um lado para o outro, atarefada com muitos afazeres.

Contextualizando, ela deve ter feito um chá, um pão de queijo, um biscoito para servir Jesus e não parava, andava de um lado para o outro, já Maria, sua irmã, estava aos pés de do Senhor.

Jesus queria que Marta estivesse aprendendo com Ele também. A prioridade era estar com Ele. Aquela seria a última vez que o Senhor estaria na casa delas e Marta não soube priorizar o Mestre.

Reveja suas prioridades. Fazer um bom negócio, ler um bom livro, comprar uma roupa, cuidar da casa, cuidar do cabelo, estudar para um concurso, etc, são coisas muito importantes, mas não devem estar à frente de Deus nas nossas vidas.

Existem pessoas que querem prestar concurso público e param de vir à igreja para estudar. Outros, na época de calor não vêem à igreja de manhã para ir ao clube.

Tem gente que troca Jesus por um cineminha, por uma partida de futebol.

Jesus mostrou a Marta que Maria escolheu a melhor parte. “Marta, andas tão inquieta e te preocupas com tantas coisas.” A prioridade é estar aos pés de Jesus.

Por natureza, sou muito ativista, faço muitas coisas ao mesmo tempo e tinha o costume de ler a Bíblia no fim do dia, então, resolvi lê-la no início do dia, porque no início do dia, a Bíblia é preventiva, já no final ela é corretiva.

Passei a priorizar a leitura bíblica, entendendo que o melhor momento para ler a Palavra de Deus é pela manhã.

Os pastores precisam aprender a se organizarem. Os líderes nas igrejas, muitas vezes sofrem um grande conflito no tocante à família e o ministério, por se dedicarem excessivamente ao ministério.

Sendo assim, a esposa e os filhos podem sentir-se em segundo plano gerando um grande desconforto na família.

Por isso o pastor deve delegar funções e encaminhar determinados casos para pastores específicos. Isso é prioridade, e prioridade é organizar-se.

Precisamos cortar coisas são prioridade na nossa vida e que estão nos impedindo de priorizar ao Senhor. Corte a televisão, a internet, o sono, por exemplo. Corte gastos – suas roupas e sapatos se forem bem cuidados poderão ser utilizados por mais tempo. Marta estava convicta que fazia a coisa certa, mas não era o que o Senhor queria dela. Existem pessoas acreditando que estão certas, quando Jesus deseja que as mesmas O priorizem.

“Maria escolheu a boa parte e isso não lhe será tirado!” Jesus é a boa parte! Priorize Jesus!

Pr. Jorge Linhares
Fonte: Ministério Jorge Linhares

segunda-feira, 21 de junho de 2010

LIBERDADE SIM; PRISÃO NÃO.

"e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).


Pouco tempo depois de um construtor haver terminado a construção de um presídio em Nova Iorque, foi preso por falsificação, condenado e levado para uma cela da prisão que havia construído. Ali teria de passar vários anos. Enquanto era conduzido por uma escolta até o local onde ficaria preso, o construtor disse: "Eu nunca sonhei, quando construí esta prisão, que um dia seria um prisioneiro aqui". (Jornal do dia 12/07/1993)
O que estamos construindo nos caminhos de nossas vidas? Prisões ou liberdade? Bênçãos ou maldições? Obras de alegria ou de tristeza? Vida eterna ou morte eterna?
Ao semearmos amor, certamente colheremos frutos de amor. Ao plantarmos ódio, é isso que recolheremos. Ao tomarmos qualquer atitude, precisamos ter em mente que o resultado do que fazemos poderá estar nos esperando logo adiante.
Aqueles que agem de acordo com a vontade de Deus podem dormir tranquilos porque sabem que estão ajuntando tesouros de vida abundante e eterna. Aqueles que caminham nas sendas do pecado poderão ser vítimas de suas próprias escolhas. O pecado jamais produzirá paz e felicidade e os que nele investem, sabem, com antecedência, que nada de bom terão como recompensa.
Muitas vezes nós construímos nossas próprias prisões -- é isso que o pecado faz!
Porém, quando construímos uma vida baseada nos ensinos do Senhor, o edifício de nossa felicidade jamais terá rachaduras e mesmo diante dos ventos dos problemas deste mundo, sempre se manterá de pé, firme e inabalável.
Você está construindo prisões ou liberdade para sua vida espiritual?
Fonte: Ministéio para refletir!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

TUDO É POSSÍVEL AO QUE CRÊ

Poucas vezes houve uma definição tão boa de fé como a que foi dada por uma certa senhora, em resposta à pergunta de um jovem. Ele desejava saber como obter auxílio do Senhor na necessidade.
Num gesto bem característico seu, ela apontou o dedo para ele e disse com muita ênfase: "Você tem apenas que crer que Ele deu; e está dado." O grande erro de muitos de nós é que depois de Lhe fazermos um pedido, não cremos que fomos atendidos, mas começamos a ajudá-lo e a arrunjar outros para ajudálo também, esperando para ver como Ele vai fazer aquilo.
A fé acrescenta o nosso Amém ao Sim de Deus, e então retira as mãos e deixa Deus acabar a sua obra. Esta é a linguagem da fé:"Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará."
Uma fé operante pode dar graças por uma promessa, embora ela não esteja ainda alcançada; pois sabe que os vales de Deus são tão certos como a própria importância.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Traduções contemporâneas dos dez mandamentos

I Não terás outros deuses
Não crerás na existência de outros deuses, senão de Deus.
Não explicarás o universo senão em relação a Deus.
Não terás outro critério de verdade senão Deus.
Não te relacionarás com pseudodivindades, senão com Deus.
Não dependerás de falsos deuses, senão de Deus.
Não terás satisfação em nada que exclua Deus.

II Não farás imagens
Não tratarás como Deus o que não é Deus.
Não compararás Deus com qualquer de suas criaturas.
Não atribuirás poder divino a qualquer das criaturas de Deus.
Não colocarás nenhuma criatura entre ti e o teu Deus.
Não diminuirás Deus para que possas compreendê-lo ou dominá-lo.
Não adorarás qualquer criatura que pretenda representar Deus.

III Não tomarás o nome do teu Deus em vão
Não dissociarás o nome da pessoa de Deus.
Não colocarás palavras na boca de Deus.
Não te esconderás atrás do nome de Deus.
Não usarás o nome de Deus para te justificares.
Não te relacionarás com uma idéia a respeito de Deus, senão com o próprio Deus.
Não semearás dúvidas respeito do caráter e da identidade de Deus.

IV Lembra-te do sábado
Não deixarás de dedicar tempo exclusivamente para Deus.
Não deixarás de prestar atenção em Deus.
Não deixarás de descansar em Deus.
Não derivarás teu valor da tua produtividade.
Não tratarás a vida como tua conquista.
Não deixarás de reconhecer que em tudo dependes de Deus.

V Honra teu pai e tua mãe
Não negarás tua origem.
Não terás vergonha do teu passado.
Não deixarás de fazer as pazes com tua história.
Não destruirás a família.
Não banalizarás a autoridade dos pais em relação aos filhos.
Não deixarás teu pai e tua mãe sem o melhor dos teus cuidados.

VI Não matarás
Não tirarás a vida de alguém.
Não tirarás ninguém da vida.
Não negarás o perdão
Não farás justiça com tuas mãos movidas pelo ódio.
Não banirás ninguém da tua vida.
Não negarás ao outro a oportunidade de existir na tua vida.

VII Não adulterarás
Não farás sexo.
Não farás sexo na imaginação.
Não farás sexo virtual.
Exceto com teu cônjuge.
Não te deixarás dominar pelos teus instintos físicos.
Não terás um coração leviano e infiel.
Não te satisfarás apenas no sexo, mas te realizarás acima de tudo no amor.

VIII Não furtarás
Não vincularás tua satisfação às tuas posses.
Não te deixarás dominar pelo desejo do que não possuis.
Não usurparás a propriedade e o direito alheios.
Não deixarás de praticar a gratidão.
Não construirás uma imagem às custas do que não podes ter.
Não pensarás só em ti mesmo.

IX Não dirás falso testemunho
Não dirás mentiras.
Não dirás meias verdades.
Não acrescentarás nada à verdade.
Não retirarás nada da verdade.
Não destruirás teu próximo com tuas palavras.
Não dirás ter visto o que não vistes.

X Não cobiçarás
Não viverás em função do que não tens.
Não desprezarás o que tens.
Não te colocarás na condição de injustiçado.
Não desdenharás os méritos alheios.
Não duvidarás da equanimidade das dádivas de Deus.
Não viverás para fazer teu o que é do teu próximo, mas do teu próximo o que é teu.
2007 Galilea

Poder e sucesso, justiça e santidade

A nossa esperança e o nosso testemunho não podem ser fundados na fé em Deus-poder ou na divinização de alguma pessoa, grupo social ou instituição. A fé cristã nos apresenta um caminho inverso: ao invés da divinização de um ser humano muito poderoso ou de alguma instituição social (como o mercado) ou religiosa – proposta sedutora de muitas religiões e ideologias sociais –, o Evangelho de Jesus nos propõe um Deus que se esvazia do seu poder divino para entrar na história como escravo, e como escravo se assemelhar ao humano (Filipenses 2.6,7).

Deus se revela no esvaziamento do poder para mostrar que o poder e o sucesso não são sinônimos da justiça e da santidade. Pessoas ou igrejas que se consideram justas e santas porque são ricas e/ou poderosas ou porque têm muito ibope não conhecem a verdade sobre Deus e sobre o ser humano. Não é a riqueza que lhes dá dignidade e justifica a sua existência; a nossa existência está justificada e nós somos dignos antes da riqueza, poder ou sucesso, pois nós somos justificados pela graça de Deus que se esvaziou do poder porque ama gratuitamente a toda a humanidade e a toda a criação. Essa fé e esperança podem ser experienciadas quando perseveramos na nossa opção pelos pobres e por uma Igreja mais servidora do Povo de Deus, mesmo quando a contabilidade de nossa luta e a frustração pessoal nos diz que não há mais por que esperar. No momento em que perseveramos somente porque amamos é que podemos testemunhar esta esperança que é a esperança cristã, que nasce da morte na cruz de um Deus encarnado.
2007 Jung Mo Sung

sábado, 21 de julho de 2007

A diferença do "pelado" e do vestido

Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura. João 19:23

Disseram, pois, uns aos outros: Não rasguemos a túnica, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas.
João 19:24


Se pesquisarmos acerca da túnica de Jesus e que era toda tecida de alto a baixo e não tinha costura, encontraremos muita coisa, desde estudos sérios e que visam estabelecer uma relação entre aquele tipo de veste e as de um sacerdote, até aqueles místicos e fetichistas e que estimulam crenças mágicas.

Para mim, de fato, nada disso é importante. As vestes de Jesus têm a importância de seu significado profético, conforme acima citado por João. Ou seja: elas foram sinais simples de algo maior que a Vida — Aquele que morria na Cruz era o Salvador e Sacerdote de Tudo e Todos, assim como era Aquele em Quem, por Quem e para Quem todas as coisas haviam sido criadas. Era o sinal Daquele que veste por inteiro a nudez humana, que no Éden vestira os primeiros humanos, e que veste de alto a baixo sem costura.

Sim! Jesus veste sem costura!

Quando Ele cobre não há remendos e nem costuras a serem feitos; por isso Ele nos veste por inteiro.

Simples e belo.

A túnica também é tecida de alto a baixo. Veste de cima para baixo. Era tecida da cabeça para os pés. Segue a seqüência de como Deus tece as vestes que cobrem por inteiro: de cima para baixo; da cabeça-mente-entedimento até aos pés-comportamento-andar.

“De alto a baixo”, conforme Deus nos veste; pois, nossas vestiduras são feitas em outra dimensão e carregam o sinal da justiça que de cima nos justifica.

A túnica sem costura não foi rasgada. As vestes, porém, foram partidas em quatro partes, conforme a profecia do salmo.

A túnica forrou o chão do jogo!

Até no chão essa túnica forra o que os homens partem, dividem e ainda usam a fim de se divertirem sobre os trapos.

Vestes rasgadas e túnica intacta. As vestes cobriam o corpo e a túnica cobria as vestes.

Os homens rasgaram as vestes, mas a túnica vestiu o chão das banalidades dos executores que buscavam distancia do ato de executar. Eram os mesmos acerca dos quais Jesus diria que não sabiam o que faziam; embora, em sua ignorância, cumprissem a profecia.

Os homens odeiam andar nus, mas amam rasgar e expor a nudez uns dos outros. Assim, rasgam as vestes de Jesus, mas, mesmo assim, preservam a túnica; pois, vestes os homens rasgam dinheiro não; e a túnica valia muito, além de ser bela.

Desse modo é apenas por causa do valor monetário e estético da túnica que ela é preservada. Afinal, não importam quais sejam as motivações humanas, mas, ainda assim, a profecia cumprir-se-á.

“Não rasguemos a túnica, mas lancemos a sorte sobre ela, para vermos de quem ela será” — disseram eles.

Irônico, mas lindo — “... lancemos a sorte sobre ela...”.

Lançam a sorte para ver quem fica com a túnica. Mas a sorte é jogada no “dado” sobre ela.

O que o homem não sabe é que a sua sorte é lançada sobre a túnica mesmo; pois, não fosse essa veste que é sem costura e que veste de alto a baixo, quem entre nós teria qualquer sorte?

Assim, o homem joga o dado-desígnio sem obrigação, por vontade própria; enquanto foge de ver o que faz como profissão de ser; e, mesmo assim, cumpre o desígnio que é a Sorte para ele próprio.

Desse modo tão simples e cheio de belas imagens da vida, ficamos sabendo que Aquele que se fez nudez em nosso lugar é também o único que nos pode vestir; de alto a baixo; do céu para a terra; de Deus para homem. E mais que isto: Ele nos veste com vestes sem costura, sem remendo e sem memória de rasgaduras culposas; pois, em Sua Graça Ele nos veste até do chão para cima, posto que Sua veste forra até os jogos da mais banal e fugidia alienação humana.

Nele, em Quem sou-estou vestido de alto a baixo; e que é o Arrimo de minha sorte,


2007 Caio Fabio

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Rogério era um evangelista que pregava em praça pública. Sempre depois do sermão, ele prometia curar todos os presentes, impondo as mãos sobre os que fossem à frente. Na noite em que o ajudei, uns oitenta responderam ao apelo. Entre eles, uma senhora carregava um menino com graves disfuncionalidades motoras; percebia-se que nascera com alguma Síndrome genética rara.

Rogério, como um pastor pentecostal, compreensivelmente, desejava que milagres acontecessem. Quando vi os rostos ávidos por um socorro celestial, repeti para mim mesmo que eu também seria capaz de ficar a noite inteira de joelhos clamando aos céus, se necessário, para que todos ali fossem curados. E não desgrudei os olhos, um minuto sequer, daquele menino nos braços de sua mãe.

Mas nada aconteceu! As nuvens que escondiam a lua permaneceram imóveis e sequer um fiapo de luz nos alcançou

O menino, como um boneco de pano sem músculos continuava flácido no colo materno. O culto acabou e, com certeza, os dois voltaram tristes para o barraco fétido onde viviam.

Depois que o povo foi embora, continuei ao lado de Rogério, mas tive pena de vê-lo suado de gritar feito um náufrago desesperado pela indiferença do navio que passa.

Ele me olhou, entretanto, com um soslaio triste. Talvez não quisesse encarar-me, pois sabia o que eu pensava sobre o que acabara de acontecer.

Aquela noite marcou-me a ferro. Fiquei devastado. Não consegui sequer indagar onde errávamos. Também, não achei certo confrontar a sinceridade do Rogério, que dava seus primeiros passos como evangelista. Eu não tinha o direito de azedar ainda mais seu insucesso em produzir milagres para a glória de Deus - não lhe faltava integridade.

Passados vinte e cinco anos daquela noite, nunca conversei com ninguém sobre os traumas provocados pela nossa incapacidade de produzir aquele único milagre que poderia ter mudado a miséria de uma criança.
Não sei se Rogério ainda prega em praças. Eu, porém, continuo cuidando de uma igreja. Entre os membros de nossa comunidade temos crianças portadoras de síndromes igualmente complicadas, amputados, idosos com doenças crônicas, surdos (formamos um grupo de surdos e nossos cultos já são traduzidos pela linguagem dos sinais) e deficientes visuais.

Como não consigo varrer para debaixo dos tapetes misteriosos da teologia as respostas que preciso dar a mim mesmo, iniciei uma nova jornada para entender o significado da fé.

Fé já não significa para mim uma força projetada na direção de Deus que o induz a agir. Não entendo que Deus esteja inerte, esperando pela habilidade das mulheres e dos homens de mexerem com seu braço. Inclusive, parei de dizer que fé move o braço de Deus.

Fé já não significa para mim uma senha que escancara as janelas das bênçãos celestiais. Rejeito a noção de que Deus oculte suas maravilhas ou dificulte nosso acesso a elas. Não precisamos nos comportar como crianças que caçam ovos de chocolate na Páscoa. Aliás, considero a expressão “conquistar uma graça” uma contradição tão horrorosa, que me arrepio todas as vezes que a ouço.

Fé significa para mim uma aposta de que os valores, os princípios e as virtudes do Evangelho bastam para que eu enfrente a vida com todas as suas contingências. Vejo que personagens bíblicos não arredondaram a vida, não se anteciparam aos acidentes futuros e nem se blindaram contra as maldades humanas. Igual a eles, não quero viver em redomas.

Fé significa para mim que o Espírito de Cristo dá ganas de olhar para história com coragem para não precisar apelar para o mágico, para o feitiço e para o sobrenatural. Por causa da fé não pedimos para ser poupados da dor. A fé bíblica convoca que andemos nas pegadas de Jesus e não encolhamos diante do patrulhamento religioso, da perseguição e da morte impostos pelos regimes imperialistas.

Fé significa para mim a possibilidade de rebelião contra o status quo porque ele não reflete a vontade de Deus. O sofrimento humano não faz parte de uma Providência remota, as catástrofes não são dores de parto que prenunciam o alvorecer de um futuro glorioso.

O colonialismo que condenou centenas de milhões de negros a horrores indescritíveis, as guerras inúteis que dizimaram jovens ingênuos, os horrores da prostituição infantil, não foram planejados por Deus. Convivemos com um sistema em aberta rebelião contra o Criador e contra ele devemos nos insurgir.

Existe uma fé profética, visceral, que me convoca a gritar NÃO! Ela me deixa irrequieto. Minhas zonas de conforto acenam na minha própria cara, pois vivo atrelado ao sistema pequeno-burguês que legitima a deterioração ambiental; calo diante do capitalismo neoliberal que produz excluídos; acovardo-me diante das ameaças de ser um exilado social.

Já que abandonei o paradigma de uma fé funcional, utilitária, de causa e efeito, quero, tão somente, ter peito para aceitar o risco de viver sem pé de apoio, de viver a liberdade prometida por Cristo e de almejar uma única segurança: saber-me gratuitamente amado de Deus.
2007 Ricardo Gondim